Inteligência emocional e resiliência como fatores de vantagem competitiva em organizações inovadoras

Muito se discute a importância da Inteligência Emocional e Resiliência dentro de um ambiente corporativo e mais ainda em organizações inovadoras, mas pouco se coloca em pauta como o controle das emoções impacta diretamente no ganho de produtividade. É notório que a falta de Inteligência Emocional e Resiliência ocasiona obstáculos em uma organização. Deste modo, equipes emocionalmente instáveis, incapazes de lidar com desafios e com pouca resiliência podem gerar um atraso na produtividade e complicações nas relações interpessoais, principalmente quando não há um líder emocionalmente capacitado e equilibrado para liderar e motivar a equipe. Essa perspectiva evidencia a necessidade de enfrentamento desses desafios para o alcance de uma organização mais resiliente, colaborativa, eficiente e produtiva (Goleman 1995). 

A Inteligência Emocional e a Resiliência estão intimamente conectadas, pois a aptidão de gerir as próprias emoções, facilita uma adaptação mais eficaz às dificuldades, o que impacta diretamente na resiliência diante dos obstáculos da vida. Segundo Tavares (2001), resiliência é uma habilidade dos indivíduos ou grupos resistirem às adversidades cotidianas sem perder o equilíbrio. É a capacidade de adaptação contínua às dificuldades da vida. Quando desenvolvida por gestores, é capaz de mobilizar diversas capacidades, principalmente nas organizações inovadoras, como ser, poder, estar e querer abrangendo também a autorregulação e autoestima. Por outro lado, de acordo com Goleman (1999), a Inteligência Emocional é formada por autopercepção, motivação, autogestão, empatia e habilidades sociais. Goleman (1999) sugere que a Inteligência Emocional pode ser um fator determinante para um futuro de grande sucesso ou derrota nas situações diárias, sendo responsável por aproximadamente 85% do desempenho de líderes bem-sucedidos no âmbito organizacional.

O desenvolvimento da resiliência e inteligência emocional é essencial para o sucesso profissional e pessoal. No entanto, esse desenvolvimento representa um desafio complexo para os profissionais, pois exige um aperfeiçoamento contínuo de autogerenciamento, autoconhecimento e autogestão. A ausência do autoconhecimento dificulta o desenvolvimento da resiliência e da inteligência emocional, portanto “o profissional deve buscar meios de consideração de forma precisa quanto às emoções próprias, como elas ocorrem, ou o que dispara seus gatilhos emocionais e como isso influencia no comportamento” (Santos, 2023).

Diversos estudos ressaltam que colaboradores mais felizes e satisfeitos tendem a apresentar um desempenho mais produtivo. Esse conceito é referenciado por Siqueira e Junior (2004), citado por Santos (2021). Na abordagem organizacional esse foco está direcionado aos colaboradores que possuem maior responsabilidade emocional, diminuindo os atrasos e faltas dos colaboradores e reduzindo o turnover de funcionários. Ao focar no desenvolvimento e aplicação da inteligência emocional e aplicá-la na liderança, os líderes podem criar um ambiente de trabalho positivo e produtivo, que impulsiona o crescimento contínuo tanto individual quanto coletivo. Portanto, investir no aprimoramento da inteligência emocional é crucial para se tornar um líder de sucesso e inspiração é fundamental para se tornar um líder bem-sucedido e inspirador (De Lima 2022).

De acordo com Goleman (1999), os líderes necessitam aprender a controlar suas emoções para possuírem uma liderança eficaz. A autogestão é composta por otimismo, iniciativa, superação, transparência e autocontrole. É essencial que os líderes evitem demonstrar emoções negativas, pois essas emoções influenciam diretamente o ambiente, principalmente quando partem da liderança. Locais de trabalho permeado de rivalidades e disputas políticas resultam em sentimentos ruins e baixa produção. A partir dessas reflexões é possível observar que diversas organizações passaram a adotar uma visão mais centrada bem-estar dos colaboradores, com o intuito de melhorar o desempenho profissional com foco no bem-estar seja físico, mental e/ou social.

Em virtude dos fatos mencionados, após realizar uma análise completa é indispensável que a Inteligência Emocional (IE) e a Resiliência (R) atualmente são reconhecidas como competências fundamenteis para uma organização de sucesso. Em tempos atuais, de grande transformação, inovação e desafios, possuir a habilidade de gerenciar e controlar as próprias emoções é uma habilidade crucial, pois se transforma em um diferencial estratégico para o desenvolvimento pessoal e para a produtividade organizacional. ainda que essas competências sejam reconhecidas existe uma variação significativa no seu grau de aplicação. As organizações que adotaram meios de aplicação da IE e R puderam notar impactos significativos em suas equipes de líderes e liderados, caminhando para um clima organizacional mais saudável, harmônico e produtivo. 

Entretanto, esta pesquisa apresentou fatos que revelaram apesar de reconhecimento da IE e R, muitas empresas não direcionam investimentos para impulsionar projetos de implantação da IE e R no dia a dia dos colaboradores, além da falta de mensuração do impacto dessas competências causam também um empasse para avaliar a efetividade desses programas adotados. 

Além disso, também foi possível reconhecer que a aplicação dessas competências não é realizada de forma ampla em todas as empresas, há uma restrição apenas aos níveis de hierarquia. Para que os resultados sejam assegurados de forma ampla, é necessário que essa competência esteja presente em todos os lugares, desde a cultura corporativa até nas suas atividades diárias para atingir os resultados desejados, como a eficiência e o desempenho do trabalho realizado pelos colaboradores, ambiente profissional mais saudável, agradável e resiliente, com colaboradores capacitados suficientemente para lidar com obstáculos dentro do mundo corporativo e de suas relações pessoais.

A pesquisa realizada evidenciou que a Inteligência Emocional (IE) e a Resiliência (R) exercem uma habilidade primordial para a intensificação da produtividade, eficácia e eficiência organizacional nas organizações inovadoras. Logo, o desenvolvimento da IE e R devem ser encarados e adotados como uma prioridade estratégica para aqueles que buscam um sucesso empresarial, pois uma empresa que investe na saúde e bem-estar dos seus colaboradores também está investindo em melhoria na produtividade, gestão de conflitos, tomada de decisões mais eficazes e inteligentes, desenvolvimento de lideranças mais eficazes, redução do estresse e possíveis casos de burnout, melhora no trabalho em equipe, maior satisfação no trabalho impactando na redução de rotatividade de colaboradores.

Prof. Dr. Orlando Roque da Silva
Programa de Pós-graduação em Administração (PPGA) da Universidade de Marília
orlandosilva@unimar.br


Leitura Adicional:

ALVES, I. R. A inteligência emocional: influência na vida profissional e nas organizações. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 12, p. 300-307, 2021. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/3386. Acesso em: 30 mar. 2025. 

SANTOS FILHO, S. B. Resiliência e inteligência emocional, habilidades, desafios e o papel da organização. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 9(4), xx-xx, 2023. doi:10.51891/rease.v9i4.9240. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/9240/3621. Acesso em: 30 mar. 2025.

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